quarta-feira, 13 de maio de 2009

pequenininha

eu sinto que esse trabalho me diminui
a posição da mesa, minha postura, a luz
os músculos vão se contraindo
formando nozinhos
e eu vou diminuindo
e vou pra cama doendo

eu sinto que o dinheiro me seca o cérebro
eu esqueço de beber água
de fazer o que gosto
de ligar pra quem amo
os músculos formando nozinhos
e vou diminuindo
e vou pra cama doendo

sou eu no final do dia:
essa sujeita pequena,
desidratada de amor
seca de poesia

tensa doendo na cama.

sábado, 9 de maio de 2009

foguinho

duas ou três bolinhas de calor vão subindo.
no começo dói, incomoda e incha.
depois eu me acomodo e é bom.
dá uma fome, uma sede, uma...
todas essas sensações de incompletude, que trazem alguma voracidade.
eu sou cheia delas.
minhas bolinhas que correm quentes.
imediatistas e imprevisíveis.
espero que elas continuem vindo e se espalhando.
ah que se ter calor pra ter vida.
vide o sol.

eu queria essa música, mas não gostei tanto do vídeo:

apaga a luz.

- amor, maior de todos, meu.
- sim?
- qdo sair, apague a luz.
- sim, sim. claro.
(...)
- mas vc vai fica aí, sozinha, no escuro?
- e onde mais eu ficaria?
- eu acho triste.
- é triste, mas eu sei onde está tudo. precisar mesmo da luz, não preciso.
- entendi.
- se for, apague a luz.

terça-feira, 17 de março de 2009

Sei um ninho


Miguel Torga

Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem lá dentro um passarinho
Novo.

Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que faça o pino
A voar...

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Vai vadiar, vai!

vai, pode ir...
a porta fica aberta

se quiser vai com papel bonito e fita
pra quem quiser pegar

eu, aprendo, cresço, fico esperta
dou dez, dou vinte e trinta
coloco um ou cinco em seu lugar

O silêncio

Silêncio e frustração.
Justo pra mim.
Que amo tanto música.

Eu devo sim e devo mesmo, não ser digna de nenhum esforço mínimo.
Ou
Estar pedindo demais, exigindo demais dos pobres dos mortais.

Eu não mereço nada mesmo não
Nada mesmo
Nada
o mesmo
ou não.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

plenitude

para William

Há quem pense que plenitude deve ser uma coisa grande
Ela no entanto cabe
debaixo de um guarda-chuva pequeno no ponto de ônibus
enquanto o céu desaba
o ônibus atrasa e eu dou risada

Uma ou outra característica não cabe escrever e um conceito exato no escrever não cabe
Contudo, ela deve ser um negócio com muita chuva e muito molhado
Ou com muito sol e muito suado
E com muita música e deleite pros olhos

Ela é interrompida, às vezes,
pelo entregador de pizza
pelo cheiro de comida pronta
pelo trabalho
por uma ou outra burrice
por duas ou dez erupções absurdas
- e surdas -
de ciúme

De resto ela está sempre aí
E ela é tão simples, certa e dada
Que as pessoas não vêem

Mas, eu, ha!
Eu achei.