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segunda-feira, 14 de abril de 2008

García Márquez

"Me pergunto como pude sucumbir nesta vertigem perpétua que eu mesmo provocava e temia. Flutuava entre nuvens erráticas e falava sozinho diante do espelho com a vã ilusão de averiguar quem eu sou. Era tal meu desvario, que em uma manifestação estudantil com pedras e garrafas tive que buscar forças na fraqueza para não me colocar na frente de todos com um letreiro que consagrasse minha verdade: Estou louco de amor."
(Gabriel García Márquez, Memórias de minhas putas tristes, Record, RJ, 2005)

Teve um amigo que passou pela minha vida que disse:
Sabe, tem dias que qualquer ventinho te deixa de pau duro.
Eu disse: que coisa heim?
E ele: Com vc não acontece?
E eu brinquei que não tinha vento que me pusesse de pau duro. Mas que escreveu não leu, eu ficava apaixonada. E ele riu bastante, e disse muito sabiamente:
Isso é coisa de quem nunca se apaixonou de fato.
Eu achei absurdo, e disse. E ele:
Pau duro é fácil, e paixão é duro. Quando te pegar me conta.
Quando qual me pegar?
É, engraçadinha, junta o que sobrar de vc e me liga pra contar.

Vou me descompor um pouco mais, e me recompor um pouquinho, e já te ligo.