quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A Dirsse


Minha filhinha, manquinha, caolha e meio torta, mas é minha!

domingo, 17 de janeiro de 2010

Aleatório - metas de ano novo.

Acabei de sair do blog novo do Jeff, que está massa demais!
E lá, na casa nova do Jeff, estava rolando um som do Cohen. E eu me lembrei de uma porção de coisas, uma delas é que homem bom sabe bem o que dizer (sobre a canção a I'm you man). Dois que eu tinha uns planos quando era mais nova. Eu queria ler uma coisa nova e escutar uma coisa nova sempre, acho que minha organização temporal dizia, na época, a cada mês, sei lá.
Enfim, a minha organização temporal não mudou e eu continuo planejando e não cumprindo.
Como dizia aquela poetisa marginal e pscinalista renomada, o tempo anda me comendo.
E continuo me recusando a virar de frente pra ele, porque eu quero fazer tudo e ele vai dizer na minha cara que tudo não cabe nele nem em mim.
De qualquer forma, vou registrar as metas de 2010 para pelo menos poder chorar sobre elas em 2011: primeiro, eu vou terminar uma estória. Meu plano era ser escritora, pow! Se ficar ruim, se der errado, pelo menos eu terminei alguma coisa nessa vida.
Segundo, eu vou arrumar meus idiomas quebrados, o alemão e o inglês. Tanto tempo estudando e eles estão aqui jogados e empoeirados na minha cabeça, logo não vão prestar mais pra nada.
Terceiro, aprender um troço dificil, estou entre cálculo e chinês. Muito provavelmente vai ser chinês.
Quarto. Voltar a batucar, retomar a bateria e aprender pandeiro.
Quinto. Plantar ou me mudar pra onde tenha uma árvore, porque Will e eu queremos que os pequenos (planos pros próximos anos) brinquem em uma casa na árvore.
E acho que 2010 está bem cheio já.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Rita

a minha cabeça é o lugar mais desconfotável para se estar no mundo.
um que dói: de enxaqueca, de sinute, de atm, de ressaca e por ser torta.
acho que a tortice dela entorta todos os outros pensamentos.
e eu não tenho foco. nem direção.
o esforço natural para endireitar é cansativo. o mais simples: tem tarja preta e sobe a pressão.
todo mundo é contra, pq os queridos me amam tortinha e perdida.
é porque ninguém está na minha cabeça.
ser reto pode ser chato, mas há de ser menos dolorido e desconfortável.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sobre o caso da Uniban

A minha amiga Larissa quase despirocou de choque quando soube dessa história. Ela me falava assim: a moça tava usando um desses vestidos que vc usa, sabe? Eu ri disse pra ela relaxar e prometi dar um tempo da roupa curta. Fingi que não era comigo, foi fácil, não foi. Mas podia ter sido.

Alguns homens, aliás a maioria, junto com as mulheres machistas (manutenção essencial de uma sociedade machista), acham-se no direito de julgar. Quem nunca viu, um cara feioso julgando uma garota igualmente, ou até menos, feiosa ou uma garota muito bonita. "E aí, dragão?" ou "E aí, princesa?", que diferença faz? Alguém disse que eles têm o direito de julgar e eles acreditaram. E é rídiculo, o cara tem um cromossomo Y que é um cromossomo menor, no qual falta uma perna, e acha que pode dizer o que eu sou, porque sou XX. Rídiculo.

Anyways, julgaram a Geisi e a condenaram. Ela não foi estuprada, mas foi expulsa da Universidade. Obviamente, o grupo de pessoas que a queria estuprar lá continuam, mas o importante é que a devassa se foi.

É foda ser menina nesse mundo, saber e ter certeza do que vc é, independente de tudo e todos.
O machismo está em todo lugar e as pessoas fingem que não. Como é com o preconceito racial.
Ontem, uma pessoa muito próxima de mim e querida fez uma brincadeira muito ofensiva e machista. Entre a surpresa e a decepção, deixo duas frases da minha mãe - que já foi mais feminista:
Antigamente, ela dizia: "o mundo é machista, porque ainda existem mulheres machistas."
Hoje em dia, ela diz: "minha filha, Deus é machista!"

Mesmo assim, vou insistir (talvez com um spray de pimenta da bolsa), ng vai me dizer o que eu sou, muito menos me por a mão sem meu consentimento.
E meu corpo é responsabilidade minha e o que eu faço com ele, é aqui comigo.
E bom comportamento precisa de uma redefinição, pq até onde eu vi e entendo, se tem um homem pra dizer o que eu sou ou o que fazer, esse comportamento não tem nada de bom, pra mim.

As meninas do Pão e rosas escreveram textos muito legais sobre o incidente da UNIBAN, os textos estão aqui: Pão e Rosas

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Tu tens um medo

Cecília Meireles

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

tão intrometida,

Tinha um negócio escuro e viscoso saindo da orelha dele. Primeiro escorria e depois jorrava, pensei comigo em sair, porque depois do jorro vem o esguicho.
Achei que seria delicado da minha parte avisar antes porque ele, aparentemente, não dava conta:
Viu?
Levantou as sobrancelhas como que dizendo "vi".
Ta escorrendo um...uma coisa da sua orelha.
Apontou para a orelha e acenou curtinho várias vezes com a cabeça como quem diz "é".
Você deve ter se machucado.
Inclinou lateralmente a cabeça e ergueu as mãos como quem diz "óbvio".
Como será que está me escutando, pensei.
Fez que não com a cabeça. E, finalmente, falou: sou surdo.
E escuta pensamentos, pensei antes de mim.
E ele riu.
Fugi de um pensamento que já tinha sido qdo eu pensei em correr. Corri, corri e corri e desviei. Me pegou. "Você vai morrer".
E de novo falou, estou tentando. Mas é difícil.
Então, tirou a arma do casaco e atirou na própria cabeça mais uma vez.
Resolvi deixá-lo só.
Sou cheia de empatar a foda e o suicídio dos outros.

Minha filha

Ontem a Larissa esteve em casa, e falamos de muitas coisas da vida e meios que nos planejamos para ter nossos filhos ao mesmo tempo, tipo em 2011.
Não sei se por essa conversa toda ou se pelo todo de estimulante que tomei pra trabalhar (e que não segurou meu sono) eu me encontrei com a minha não-nascida filha (que é provavelmente meu plano mais antigo e é, o que a Roberta diria, a busca instantânea por significado na vida).

Eu desse quarto fui parar num parque, com uma árvore e um banco embaixo dela. No banco uma criança pequena, uma menina, só. Eu meio que corro para alcançá-la. Eu sei quem ela é e procuro em mim alguma marca da chegada dela e não acho. E ela sabe quem eu sou, mas é quase indiferente. Alcanço. Pergunto:
Ei, gatinha. Vc não é muito pequenininha pra estar sozinha aqui?
Responde: Não.
Eu: Não?
Ela: Não. Você é que é muito pequenininha para eu estar aqui.

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A primeira vez que eu sonhei com a minha filha eu tinha uns dezessete anos, que é quando aparentemente minha vida começou a acontecer. Eu estava numa casa que eu morei com a minha família temporariamente em razão da reforma da nossa casa. Estava na cozinha, com um bebê muito pequeno que eu apresentava para minha mãe como minha filha Isabel.
E ela para mim teve esse nome por muito tempo. Agora, como os planos não são mais apenas meus o nome está meio que em suspenso.
E talvez o plano também porque ela me disse de algum lugar em mim que eu ainda sou muito pequenininha.

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